Klangspiegel (2002)
for quartertone trumpet with tam-tam and 4-channel-tape
Dedicated to Philipp Kolb

f.p.: 16.07.2002, Aveiro-Síntese, Portugal; Philipp Kolb, Trumpet; Luís A. Pena, Sound regie
o.p: 17.01.2003, Folkwang Hochschule Essen
 

The idea that gave birth to Klangspiegel (Sound Mirror) is precisely the sound reflection of certain acoustic characteristics of the trumpet on the tape. The microscopic look of the internal life of a sound, through which we are possessed by a certain reality of the object, allows their projection throughout the perceptible domain. Fourier analysis (FFT) is the tool that we have to go through this passage from the microscopic time to the musical time. The amplitude/frequency pairs resulting from the five trumpet sounds of the FFT analysis are transformed by means of a set of algorithms (amplitude and frequency filters). The former instrumental re-synthesis inverts the role of object and reflected image.

Apart from the analysis of purely spectral data, there is also the observation of the time evolution of the 13 first partials of the trumpet, from which it is extracted a certain order, the "Gestalt". Applying this shape to a set of pitches and extracting the quartertones in their specific time relation to the rest, results in a particular rhythmic proportion. Therefore, the obtained rhythm is a consequence of the melodic shape that was achieved with the "Gestalt" and the set of pitches.  The out coming rhythm is used as an archetype with various tone-combinations.

With the development of the compositional work, the idea of reflection has expanded to other aspects. The idea took the form of a temporal mirror, meaning, the reflection at the time axis of an entire section, emerging in the form of a summary. This can happen during long-lasting periods of time, or in the note-to-note domain; it can reflect the part immediately after or already passed sections, or it can be a summary of a parameter only - as for instance the rhythm - or of several parameters simultaneously.

Luís A. Pena
 


A ideia que está na origem de Klangspiegel (Espelho Sonoro) é precisamente a da reflexão sonora de determinadas características acústicas do trompete no mundo electrónico. O olhar microscópico da vida interna de um som, através do qual nos apoderamos de uma certa realidade sonora do objecto, permite a sua projecção no domínio do perceptível. A análise de Fourier (FFT - Fast Fourier Transform) é a ferramenta de que dispomos para essa passagem do tempo microscópico para o tempo musical. Os pares amplitude/frequência resultantes da análise  FFT de cinco sons do trompete dão entrada no Open Music e são transformados através de um conjunto de algorítmos (filtros de amplitude e de frequência). A posterior re-síntese instrumental inverte o papel de objecto e imagem reflectida.

À parte da análise puramente espectral, existe a observação do desenrolar temporal dos primeiros 13 parciais do trompete, a partir da qual é extraída uma determinada ordem, uma gestalt. É pois esta gestalt que está na origem de uma estructura rítmica que percorre toda a peça. É também a mesma gestalt que melodiza um conjunto de notas que são depois sujeitas a vários tipos de transformações de ordem rítmica e combinatória.

Com o decorrer do trabalho de composição, a ideia de reflexão expandiu-se a outros aspectos. Foi ganhando forma a ideia de um espelho temporal, ou seja, a reflexão no eixo do tempo de toda uma secção que surge assim sob a forma de resumo da secção anterior. Isto pode suceder em grandes períodos de tempo ou no domínio da nota-a-nota; pode reflectir a parte imediatamente posterior ou partes já passadas, pode ser um resumo de um só parâmetro - por exemplo o rítmo -, ou de vários parâmetros simultaneamente.