Rumos, Caminhos, Direcções
para 17 instrumentos
 

Instrumentação: flauta/flauta alto, oboé/corne inglês, clarinete, clarinete baixo, fagote/contrafagote, trompete, trompa, trombone, piano, harpa, 2 percussionistas, 2 violinos, viola violoncelo, contrabaixo.

Data de composição: 1997

Estreia: 20.12.1997,  Festival de Música do Século XX de Aveiro, Mosteiro de S. Bento da Victória.

Intérpretes: Orquestra de Câmara do Estágio de Interpretação de Música do Século XX, direcção: Jean Marc Burfin
 
 

Notas de programa:

Esta é uma obra em que apliquei de forma mais sistemática alguns dos processos de composição que obras anteriores continham em embrião. Juntamente com Movimento(s) para clarinete solo, faz parte de um ciclo, ainda não terminado, cujo trabalho com certos parâmetros se baseou nas diferentes percepções da regularidade.

Harmonia e estrutura são criadas à custa de certos processos de desenvolvimento regular. Existe uma relação quase directa entre estes dois parâmetros baseada num equilíbrio entre espaços longos e curtos que delimitam a macro estrutura da obra, tendo as seguintes consequências:

-a passagem de estruturas homofónicas para polifónicas (e vice-versa);

-a extensão ou diminuição de um determinado intervalo, quer como centro de um agregado harmónico,quer como a sua projecção a todo o registo.

Os dezassete instrumentos estão divididos em três grupos com instrumentos de famílias diferentes (trompete, harpa e 2 violinos; fagote/contrafagote, trompa, percussão, viola e contrabaixo; trombone, percussão, piano e violoncelo), e um grupo só com instrumentos de madeira (flauta/flauta alto, corne inglês/oboé, clarinete e clarinete baixo). Procurei criar uma espécie de ilusão instrumental, em que cada grupo se percepciona como se tratasse de um só instrumento, movimentando-se entre os espaços delimitados pela estrutura.

Toda a obra é um longo processo, um caminho entre dois pontos, com uma vida própria e autónoma, que nasce, cresce, e morre.