"...Winterlich Ruhende Erde..."
violoncello solo (2000)

Uraufführung:
Folkkwang Hochschule Essen, 17.05.2001
Thomas Piel, violoncello
 

"Und ich war scwach und "poetisch" genug, die Brache seines Geistes mit der "winterlich ruhenden Erde" zu vergleichen, in deren Schoß das Leben, neues Sprißen vorbereitend, sich heimlich fortrege..."

Thomas Mann, Doktor Faustus

 


The title of the piece is a quotation of Thomas Mann's Dr. Faustus. Mann compares the apparent non-creation of the personage and composer Adrian Leverkusen with the winter sleep of the earth, in which new life starts slowly to grow under the earth,  but becoming visible later, long after the process already started.

This metaphor of the visible and invisible world, was an inspiring impulse to work on a kind of process that I would call of organic; that is, processes that due the extreme time expansion are perceived as having no change (almost regulars).

In another context, the sentence of the title is used like a musical poem, where the time flowing is determined by the rhythm of the words:

    Win    -    ter    -    lich
    Ruh                 -               en-de
    Er        -        de       

 

In this piece there are two kinds of compositional processes: those that are perceived as a periodic gradual changing - the dramatic process -, and those that, due the time expansion, are perceived as having no change (almost regulars) - the organic process. On one side the tension between the expectation created by the listener and the sonorous reality, on the other side, the process that mirrors, so to say, the internal life of the work (like the biological life of a living being is in permanent evolution).
During the writing of the piece, the re-reading of initial processes took me to other processes that go against the first ones introducing a new dimension, eventually becoming more important. There are also parts that suggest a improvisation, using the structural inertia of previous sections.
A continuous dialogue between structure (the abstract), writing (the real), and freedom (the imagination).
"...Winterlich Ruhende Erde..." is dedicated to Leonor and Adriano.


"E num acesso de fraqueza ou de "estro poético", cheguei a comparar a esterilidade do seu espirito com o "repouso hibernal da terra" em cujo seio a vida secretamente palpita preparando nova germinação..."

Thomas Mann, Doktor Faustus


Nesta obra há dois tipos de processos: num extremo encontram-se os que o ouvinte acompanha a evolução como uma mudança gradual de um estado para outro - o processo dramático; noutro extremo, os que, devido à dilatação do processo no tempo, não são percebidos desta forma, mas sim como "quase regulares" (i.e., sem alteração) - o processo orgânico. Por um lado a tensão entre a espectativa criada pelo ouvinte e a realidade sonora, por outro lado, o processo que retrata, por assim dizer, uma vida interna da própria obra (da mesma forma que a vida biológica de um ser vivo está sempre em constante evolução). O trabalho da escrita propriamente dita levou a que por vezes outros processos se impusessem, por releitura dos iniciais, e que de alguma forma contrariam o caminho inicialmente traçado introduzindo uma outra dimensão porventura de maior importância. Por outro o, surgem partes que sugerem uma imporvisação, aproveitando a "enérica" estrutural de secções anteriores. Um constante diálogo entre estrutura (o abstracto), escrita (o real), e liberdade (a imaginação).

A forma da obra divide-se em três grandes partes correspondendo a reinterpretações quer do ritmo inicial (célula geradora, sem evolução), quer do ritmo "orgânico" (em constante evolução).
"...Winterlich Ruhende Erde..." é dedicada a Leonor e Adriano.